quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

PROJETO DEDO VERDE NA ESCOLA

Foto: Duda Bairros/Eurofarma

O projeto Dedo Verde na Escola foi iniciado durante o mês de agosto de 2011 na CEMEB Governador André Franco Montoro. Por meio do Instituto 5 Elementos, Instituto Eurofarma e Secretaria de Educação e Cultura de Itapevi (SEC), foram desenvolvidos encontros semanais com professores, funcionários, corpo gestor e alunos com o objetivo de melhorar a escola mediante a transformação do meio ambiente e construção de espaços educadores.

A iniciativa foi da professora Raquel, de ciências, que participa do curso de Educação Ambiental, também promovido pelo Instituto 5 Elementos, Instituto Eurofarma e SEC à educadores da rede municipal de ensino de Itapevi. Durante o curso, Raquel inscreveu a CEMEB Franco Montoro que foi selecionada pela Secretaria de Educação e Cultura entre outras escolas municipais que também haviam se inscrito para receber o projeto.

Foram realizados encontros semanais com a comunidade escolar. Para os encontros com alunos foram selecionados estudantes do 6º, 7º, 8º e 9º ano, inclusive do EJA (Educação de Jovens e Adultos.) que mais se interessavam na proposta.


Fotos: Gabriela Ribeiro Arakaki e Leila Maria Vendrametto.


Ao longo dos encontros foram desenvolvidas as seguintes ações: diagnóstico participativo - oficina de futuro, mapa verde -; elaboração participativa do plano de ação; jogos cooperativos; minhocário; visita técnica ao Centro de Educação Ambiental de Caucaia do Alto; coleta seletiva; plantio de espécies ornamentais e medicinais.

Fotos: Gabriela Ribeiro Arakaki e Leila Maria Vendrametto.


O ano foi encerrado com a realização de mutirões em dezembro que contaram com a participação de professores, alunos, coordenadores pedagógicos, funcionários, inspetoras, diretora ... E também com as professoras que organizavam os encontros, atividades semanais, mutirão: Leila e Gabriela, do Instituto 5 Elementos. Enfim todos que compreenderam o objetivo de tornar a escola um lugar mais VERDE!


Fotos: Duda Bairros/Eurofarma, Leila Maria Vendrametto e Gabriela R. Arakaki

Esta notícia foi escrita por Bruna Lau, aluna do 6º ano da CEMEB André Franco Montoro, com colaboração de Gabriela Ribeiro Arakaki.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Os mapas Rubem Alves

Two roads diverged in a wood and I –
I took the one less traveled by,
And That has made all the difference.
(Duas Trilhas bifurcavam num bosque e eu –
Eu fui pela menos percorrida,
E isso fez toda a diferença.)
Robert Frost

O sexto planeta era de vez maior. Era habitado por um velho que escrevia livros enormes “Ora, vejam! Eis um explorador!”, Exclamou ele logo que avistou o Pequeno Príncipe. O principezinho assentou-se a mesa, meio ofegante. Já viajava tanto! “De onde vens?”, perguntou-lhe o velho, “Que livro é esse”, perguntou-lhe o Pequeno Príncipe. “Que faz o senhor aqui?”, “Sou um geógrafo”. Respondeu-lhe o velho. “Que é um geógrafo?”, perguntou o principezinho. “É um especialista que sabe onde encontrar os mares, os rios, as cidades, as montanhas, os desertos”.”Isso é bem interessante”, disse o Pequeno Príncipe. “Eis, afinal, uma verdadeira profissão”.E lançou seu olhar ao redor, no planeta do geógrafo. Nunca havia visto um planeta tão grandioso. “O seu planeta é muito bonito. Há oceano nele?” “Não sei te dizer” disse o geógrafo. “E montanhas?” “Não sei te dizer”.“E cidades, e rios, e desertos?” “Também não sei te dizer”, disse o geógrafo pela terceira vez. “Mas o senhor é um geógrafo!” “É verdade” disse o geógrafo. “Mas não sou um explorador. Não é o geógrafo que vai contar as cidades, os rios, às montanhas, os mares, os oceanos, os desertos”. O geógrafo é muito importante para estar passeando...”
O Pequeno Príncipe, Antoine Saint-Exupery
Aprendizagem no espaço e no tempo em que a vida estava sendo vivida!
Faz algum tempo comecei a ficar intrigado com o conhecimento que até então me havia passado despercebido. Eu tinha consciência dele, mas nunca havia parado para pensar. Esse conhecimento é a construção de mapas dentro da nossa cabeça. Os mapas, antes de existirem no papel, existem como realidades virtuais, como idéias.
A construção de mapas, talvez, nosso primeiro impulso de aprendizagem da vida. Os mapas são criados para marcar os caminhos, trilhas por onde caminhar no espaço abstrato do mundo. Servem para nos levar do lugar onde estamos para o lugar onde desejamos ir. Veja o bebezinho. Ele nada sabe sobre o mundo, exceto uma coisa: Há algo que dói dentro dele, a fome. E há também objeto delicioso que sacia a sua fome, o seio da mãe. E logo ele aprende que o caminho que o leva da fome ao seio da mãe é o choro. É um caminho extraordinário, pois não é preciso caminhar para chegar ao seu destino. O choro é uma invocação: o bebê chama o objeto do seu desejo e ele vem. Quando crescemos, aprendemos que esse caminho não funciona sempre. Não basta chorar para o objeto desejado vir até nós; há que caminhar; temos de ir até ele.
O primeiro mapa do bebê se constrói com sons: o choro. O choro marca um destino. Muitos mapas se fazem com sons. Lembro-me das instruções que um homem me deu para que eu chegasse a casa de Carlos Rodrigues Brandão, meu amigo, lá em Pocinhos do Rio Verde. “O senhor vá por essa estrada e ao ouvir o barulho de uma cachoeira, vire a direita...” Com a informação recebida, um sinal sem sentido se transformou numa trilha.
Com o desenvolvimento da vida, o espaço se amplia. A criança aprende o caminho para a cozinha, para o banheiro, para a caixa de brinquedos, para a geladeira. Um certo cheiro diz que, na cozinha, estão fazendo brigadeiro... Trilhas também se fazem com cheiros...
Aí a vida se explica ainda mais. Os mapas da casa ficam mais detalhados. Só me oriento na minha casa porque tenho mapas na minha cabeça onde estão indicados os lugares das coisas: O que as gavetas guardam, as prateleiras e os livros, a caixa de ferramentas, o guarda-roupas, a geladeira... Todas essas informações estão no espaço de latência. Dormem. Quando preciso de uma coisa, uma trilha salta do seu sono e me diz que trajeto seguir.
Os mapas que existem na minha cabeça são uma organização abstrata do espaço. Eles nada me dizem sobre os caminhos a serem tomados. Mas quando o desejo surge, ele marca, nos mapas abstratos, as trilhas e os caminhos da vida. Uma trilha é coisa viva, parte do meu corpo.
O mundo continua a crescer. A vizinhança, o bairro, a cidade, o país, o mundo, o universo. Os homens criaram mapas do universo porque queriam que o seu pequeno endereço da Terra fosse um caco no grande mapa-mosaico que é o universo. Aprenderam que as estrelas são sinais que indicam os caminhos a seguir, na Terra. Os magos seguiram a estrela... Ainda hoje, quando viajo, gosto de olhar as estrelas para saber em que direção estou indo. E me pergunto: Em que direção guiaria meu avião para voltar a minha casa?
Do choro do bebê à contemplação das estrelas um mesmo desejo em operação: queremos chegar a lago. O puro mapa geográfico desenha um espaço abstrato, como o do geógrafo de O Pequeno Príncipe. Esses mapas, nesse estado, não interessam a vida porque não indicam direções. Mas basta que o desejo apareça para que no espaço indiferente do mapa apareçam trilhas e caminhos pulsantes, que indicam as direções. O ET, na saudade de sua casa, olhava para o céu estrelado, identificava uma dentre milhões e dizia: “Home, home” – lar, lar.(contou-me um neurologista amigo que um dos primeiros sintomas do mal de Alzheimer é o esquecimento dos mapas).
Joãozinho e Maria usaram as pedrinhas que tinham nos bolsos para marcar a trilha, a única que lhes interessava, a única que os levaria de volta ao lar. Quando os passarinhos comeram as migalhas de pão que haviam lançado pelo caminho elas ficaram perdidos e caíram na casa da bruxa.
Palavras. Todas as conversas são explorações de mapas e trilhas. Falamos para indicar caminhos, sejam os da cidade, sejam os da alma. Porque a alma também tem caminho. Quem não os souber não chegará lá. A psicanálise é um mapa da alma. A terapia são as trilhas. Não é curioso que usemos a palavra “carta” tanto para nos referimos aos mapas dos geógrafos quanto às cartas dos amantes?
Há muitos anos Weley Duke Lee produziu uma série de mapas artísticos aos quais de o nome de “Cartografia Anímica”. Não eram mapas geométricos, como os dos Atlas. Eram mapas da vida, da alma.
Em suas origens, a função dos mapas era mostrar as trilhas a serem seguidas em busca de lago que desejava: a fonte, a caça, o tesouro, a mulher amada. As trilhas revelam os segredos do coração. Começam na ignorância: nada se sabe. O desejo mais a ignorância conduzem a uma “excursão”, uma exploração sem direção certa do espaço ao redor do corpo, o entorno. O geógrafo se queixava da inexistência de exploradores, o que tornava impossível sua importante tarefa de
fazer mapas. Na excursão sem direção certa, o explorador vai encontrando coisas. Aquelas que considera importantes, nelas deixa suas marcas. É claro que a “importância” vai depender do desejo que faz os olhos remexerem...
Eu estava numa praça, assentado num banco, matando tempo. Aproximou-se um menino engraxate. Deixei que ele engraxasse os meus sapatos. Conversamos. De repente, ao ver um homem que se aproximava – estava bem longe ainda -, ele disse: “Lá vem um freguês!”. Perguntei: “Seu amigo?” Ele me olhou surpreso, como se minha pergunta fosse tola: “O senhor não olhou pros sapatos dele?”. Os mapas daquele menino não eram os meus mapas. Os sinais que batizam os mapas de um engraxate são sapatos. Sapatos de couro, preferivelmente. Não incluem havaianas, tênis, sandálias... Por isso as trilhas dos meninos engraxates passam por praças e jardins. É nas praças e nos jardins que eles encontram suas caças... Voltarão depois, não mais excursionando. Voltarão para os lugares já sabidos. Assim, quando um outro, que nunca excursionou, fizer a pergunta, o engraxate que já foi lhe mostrará a trilha. Antes das trilhas, o caminhar. “Caminhante, não há caminhos. Os caminhos se fazem ao caminhar”, escreveu Antonio Machado.
***
O biólogo Jakob Johann von Uexküll fez uma deliciosa sugestão poética sobre a forma como os animais mapeiam os seus mundos. O senso comum pensa que existe um único espaço igual para todos. Borboletas, ouriços, macacos, lemas sã todos habitantes de um mesmo espaço. Cada um deles trata de aprender a se mover nesse espaço único, igual para todos. Uexküll disse que não é assim. No processo de construir seus mapas, cada animal parte da hipótese de que o mapa do mundo é igual ao mapa do seu próprio organismo. Haveria, então, muitos mapas diferentes, os mapas-borboletas, os mapasouriços, os mapas-macacos, os mapas-lemas...
Para explicar sugestão tão estranha, ele lançou mão de uma metáfora musical. Imagine que o mundo é uma harpa gigantesca. Cada animal é uma melodia que se toca. Quando essa melodia se faz ouvir, as cordas da harpa que lhe são harmônicas começam a vibrar. As outras, que não lhe são harmônicas, ficam inertes. É como se não existissem. É isso que o animal conhece do mundo: aquilo que, nele, vibra com a sua própria melodia! O mundo então soa como uma sinfonia que só o animal pode ouvir.
Isso nos conduz a uma observação que fez Piaget, em seu livro Biologia e conhecimento. Ele diz que a aprendizagem é um processo de assimilação progressiva do espaço ao redor do corpo. Essa assimilação do espaço é a prioridade cognitiva do corpo, porque desse conhecimento depende sua sobrevivência. À semelhança da ameba que lança seus pseudópodos, fazendo-os excursionar pelo seu entorno, a fim de comer o que, de alimento, encontrar. O corpo do animal não termina na pele. Estende-se pelo seu entorno. O entorno é comida. Só é digno de ser aprendido o espaço que pode ser comido. Aprender, apreender, comer. Aprendiz: aquele que come o seu espaço. Traduzido pedagogicamente: é esse espaço vital, anímico, gastronômico, extensão, parte do meu próprio corpo, que estabelece o programa de aprendizagem.
Desdmond Morris, antropólogo, autor do livro O macaco nu, sugeriu que muitos dos nossos comportamentos culturais são transformações de comportamentos animais. Os cães e os lobos marcam os seus mapas urinando. Seus marcos são feitos com cheiro. Os pássaros fazem seus mapas com sons: cantam. Nós fazemos uso de outros artifícios para marcar nosso espaço: penduramos quadros nas paredes, enchemos a casa com objetos, pintamos as paredes com nossas cores favoritas, acendemos incenso, tocamos musica, fazemos jardins... De vez em quando os decoradores se metem e decoram a casa segundo padrões abstratos, que nada tem haver com o morador. A casa fica, então, esquisita. Esteticamente elegante, sem ser lar. Casa boa é aquela da qual se diz: “Tem a cara do morador”. Isso é verdadeiro para todas as criações verdadeiramente humanas. Como o Criador, estamos destinados a criar o nosso espaço à nossa imagem e semelhança. E é lição da psicanálise: estamos à procura de nós mesmos. Queremos um mundo que tenha a nossa cara. Somente um mundo com nossa cara pode ser lar.
É por isso que os verdadeiros cartógrafos são os artistas e todos os artistas são cartógrafos.
***
Conversei com um grupo de professores do Aprendiz. Contaram-me do trabalho que estão desenvolvendo com os alunos de uma escola parceira. (Lembram-se do conceito de “intervenção”? Uma agulha introduzida num ponto da pele que mexe com o corpo inteiro, uma pedrinha lançada na superfície das águas de um lago e que produz ondas concêntricas que vão se espalhando... Muitas escolas estão sendo atingidas pelas ondas...) Mostraram-me o primeiro esboço do que estão fazendo: um mapa do entorno da sua escola. Um mapa curioso: não havia indicação de ruas. O que havia era a indicação dos lugares. Lugares especiais, escolhidos pelos alunos como dignos de serem freqüentados. Havia até a indicação de um lugar apropriado para a cabulação de aulas. Também os lugares que ficar enquanto se está cabulando uma aula pertencem ao mapa anímico dos estudantes. Lugares bons de ficar, de se encontrar pra conversar. Era um mapa de destinos. As ruas viriam depois, caminhos... É assim que se desenham os mapas anímicos: começando pelo fim. O que os distingue dos mapas dos geógrafos que indicam o que existe, o Norte, o Sul, o Leste e o Oeste, mas nada dizem sobre destinos. Somente depois de escolhidos os destinos é que se inicia a busca dos caminhos.
Escrevi isso e o meu pensamento parou, interrompido pela dúvida. Será assim mesmo? Os caminhos serão apenas meios? Não serão também destinos? Nietzsche se ria dos turistas que subiam as montanhas como animais, estúpidos e suados, cegos a toda beleza que se encontrava à beira dos caminhos. Não haverá uma alegria em se estar simplesmente indo e vendo? Só os adultos usam os caminhos como meios para chegar a um destino. As crianças, ao contrário, vão andando com olhos encantados, sem pensar muito no ponto de chegada, atentas aos espantos que moram à beira dos caminhos. Eu senti alegria enquanto caminhava pelas trilhas do Aprendiz. Como disse o Riobaldo, filosoficamente, “o real não esta na saída nem na chegada; ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”. Coisa boa esta, quando os caminhos também são destinos... Vagabundear pelas ruas da cidade é também um destino?
O mapa esboçado pelos estudantes confirmou minha suspeita: para o Aprendiz, a aprendizagem acontece no entorno vital. E ela se inicia com a construção de mapas e trilhas. O mosaico do Aprendiz, assim, terá a forma de um mapa cotado por trilhas que levam aos lugares bons de se estar. São esses mapas e trilhas que indicam os caminhos por onde deve andar o aprendiz para aprender. Não mais programas. No seu lugar: nas grandes cidades, nos bairros, nas favelas, nas pequenas vilas, nas praias de pescadores, nas montanhas, no campo, nas regiões ribeirinhas da Amazônia... Entornos diferentes, vidas diferentes, mapas diferentes, trilhas diferentes, programas diferentes, saberes diferentes. Assim deve ser, para se viver. Quem não tem mapas e trilhas fica perdido.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Oficina ensina técnicas de plantio à comunidade

Em outubro de 2011 foi realizado um evento cultural na escola CEMEB Carlos Drummond em que foi oferecida aos pais uma oficina de horta na palha. Eles já conheciam o Projeto Horta desenvolvido pela professora Neide com o Maternal porque foi publicada uma notícia no jornal da Educação no mês de agosto.

Mães participam da oficina.
Leia entrevista concedida por Neide sobre a oficina.


Gabriela - Como foi a oficina?
Neide - Foi ensinada a técnica de plantio na palha. Mostrei as fotos do Projeto com o Maternal desenvolvido desde 30 de maio, demostrei como montar o canteiro no chão, numa caixa e numa garrafa PET. Todos que participaram da oficina fizeram uma garrafa, plantaram uma mudinha de alface e levaram para casa. Dei todas as orientação de como cuidar e o tempo estimado para a colheita. No caso da alface crespa são 60 dias.


G - Quantas pessoas participaram?
N - Nós tínhamos cortado umas 50 garrafas. Este foi o número mais ou menos de participantes da oficina, mas tínhamos outras atrações no evento. Muitos pais estavam participando no geral. Alguns somente viram as explicações, fotos, uma caixa pronta com alfaces plantadas, mas não fizeram na garrafa.

Fotos do Projeto Horta.


G - Quem participou?
N - Pais, mães, avós, crianças (alunos), outras crianças da comunidade e visitantes convidados pelos alunos.

G - O que foi comentado sobre a oficina?
N - Acharam uma técnica fácil, diferente do que já viram e sabem de plantio, de baixo custo, bastante interessante, principalmente porque dei o depoimento de que depois da horta, meus alunos não gostam de comer a merenda sem "saladinha" e cobram dos pais quando não tem.